História do Viaduto

O Viaduto Otávio Rocha, o popular Viaduto da Borges, é um dos cartões-postais de Porto Alegre. Inaugurado em 1932 sobre a Avenida Borges de Medeiros, no Centro Histórico, ele é ao mesmo tempo obra de engenharia, monumento tombado e uma rua comercial suspensa, com lojas sob os arcos e quatro passeios que levam o nome das estações do ano.

Viaduto Otávio Rocha visto da Avenida Borges de Medeiros
Viaduto Otávio Rocha visto da Avenida Borges de Medeiros. Foto: User:Tetraktys – Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Um morro no meio do caminho

No início do século XX, o centro de Porto Alegre ficava separado das zonas sul e leste por uma elevação de terreno. O primeiro plano de melhoramentos da cidade, de 1914, já previa uma ligação direta entre essas regiões, mas a obra só saiu do papel em 1926, quando o intendente Otávio Rocha, com apoio do presidente do Estado, Borges de Medeiros, decidiu abrir a nova avenida.

Para isso, o morro foi cortado e o nível da rua rebaixado. O corte interrompeu a Rua Duque de Caxias, uma das mais importantes da cidade, e a solução foi construir uma ponte por cima da nova avenida: nascia o viaduto.

Avenida Borges de Medeiros e Viaduto Otávio Rocha na década de 1940
Avenida Borges de Medeiros e Viaduto Otávio Rocha na década de 1940. Foto: autor desconhecido – Wikimedia Commons (Public domain)

Projeto e construção (1927–1932)

O projeto, aprovado em 1927, é dos engenheiros Manoel Barbosa Assumpção Itaqui e Duilio Bernardi. As desapropriações começaram em 1928 e a obra foi executada pela construtora Dyckerhoff & Widmann. O viaduto foi entregue à população em 1932 e recebeu o nome do intendente que idealizou a avenida.

A estrutura é de concreto armado, com três vãos sobre a avenida. Nas laterais, escadarias apoiadas em grandes arcadas ligam a Borges de Medeiros à Duque de Caxias e criam os espaços que, desde o início, abrigam pequenas lojas.

Arquitetura e ornamentos

O viaduto foi pensado como monumento. Os pórticos ao nível da avenida têm nichos com grupos escultóricos do escultor Alfred Adloff. Os parapeitos levam balaustradas decorativas, o revestimento em reboco de pó de granito imita pedra aparelhada e os passeios são cobertos por mosaicos de cimento, os ladrilhos hidráulicos que viraram uma das marcas do lugar.

Grupo escultórico de Alfred Adloff em nicho do Viaduto Otávio Rocha
Grupo escultórico de Alfred Adloff em nicho do Viaduto Otávio Rocha. Foto: Ana Paula Hirama – Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Patrimônio de Porto Alegre

Em 31 de outubro de 1988, o Viaduto Otávio Rocha foi inscrito no Livro Tombo do Município de Porto Alegre (nº 26), tornando-se patrimônio protegido da cidade. Entre 2000 e 2001 passou por uma primeira grande recuperação, que incluiu a revitalização das lojas sob as arcadas.

Em 2008, a Lei Municipal nº 10.541 batizou a parte superior de Passeio das Quatro Estações. Cada escadaria recebeu o nome de uma estação do ano, e é por isso que as lojas são identificadas pelos passeios Verão, Outono, Inverno e Primavera.

Escadaria e passeio do Viaduto Otávio Rocha com piso de ladrilho
Escadaria e passeio do Viaduto Otávio Rocha com piso de ladrilho. Foto: Hedestad – Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A restauração de 2022 a 2026

Em dezembro de 2022, a Prefeitura iniciou a maior restauração da história do viaduto. A obra, executada pela Concrejato, enfrentou problemas estruturais e os efeitos da enchente de 2024, e os tapumes foram retirados no fim de março de 2026. Segundo a Prefeitura, foram cerca de R$ 18,7 milhões investidos na requalificação de mais de 9,5 mil m².

  • Recuperação de revestimentos, esquadrias, escadas, calçadas e ladrilhos
  • Novas instalações elétricas, hidrossanitárias e pluviais, com impermeabilização e tratamento antipichação
  • Reabertura de quatro escadarias internas, fechadas desde os anos 1980
  • Iluminação cênica com 342 luminárias de LED ao longo da avenida e dos arcos
  • Ampliação da acessibilidade, novo paisagismo e recuperação das áreas internas das lojas
Avenida Borges de Medeiros e o Viaduto Otávio Rocha à noite
Avenida Borges de Medeiros e o Viaduto Otávio Rocha à noite. Foto: Arlety da Silva – Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Viaduto hoje

Restaurado, o viaduto voltou a ser ocupado por bares, restaurantes, cafés, livrarias, lojas de discos, galerias e espaços culturais. Desde 2026, as galerias comerciais são administradas pelo Consórcio Confia no Centro, formado por empreendedores que apostam na ocupação do Centro Histórico. Conheça as lojas, veja a agenda de eventos e saiba como visitar.

Avenida Borges de Medeiros e Viaduto Otávio Rocha na década de 1950
Avenida Borges de Medeiros e Viaduto Otávio Rocha na década de 1950. Foto: autor desconhecido – Wikimedia Commons (Public domain)

Fontes