História do Viaduto
O Viaduto Otávio Rocha, o popular Viaduto da Borges, é um dos cartões-postais de Porto Alegre. Inaugurado em 1932 sobre a Avenida Borges de Medeiros, no Centro Histórico, ele é ao mesmo tempo obra de engenharia, monumento tombado e uma rua comercial suspensa, com lojas sob os arcos e quatro passeios que levam o nome das estações do ano.

Um morro no meio do caminho
No início do século XX, o centro de Porto Alegre ficava separado das zonas sul e leste por uma elevação de terreno. O primeiro plano de melhoramentos da cidade, de 1914, já previa uma ligação direta entre essas regiões, mas a obra só saiu do papel em 1926, quando o intendente Otávio Rocha, com apoio do presidente do Estado, Borges de Medeiros, decidiu abrir a nova avenida.
Para isso, o morro foi cortado e o nível da rua rebaixado. O corte interrompeu a Rua Duque de Caxias, uma das mais importantes da cidade, e a solução foi construir uma ponte por cima da nova avenida: nascia o viaduto.

Projeto e construção (1927–1932)
O projeto, aprovado em 1927, é dos engenheiros Manoel Barbosa Assumpção Itaqui e Duilio Bernardi. As desapropriações começaram em 1928 e a obra foi executada pela construtora Dyckerhoff & Widmann. O viaduto foi entregue à população em 1932 e recebeu o nome do intendente que idealizou a avenida.
A estrutura é de concreto armado, com três vãos sobre a avenida. Nas laterais, escadarias apoiadas em grandes arcadas ligam a Borges de Medeiros à Duque de Caxias e criam os espaços que, desde o início, abrigam pequenas lojas.
Arquitetura e ornamentos
O viaduto foi pensado como monumento. Os pórticos ao nível da avenida têm nichos com grupos escultóricos do escultor Alfred Adloff. Os parapeitos levam balaustradas decorativas, o revestimento em reboco de pó de granito imita pedra aparelhada e os passeios são cobertos por mosaicos de cimento, os ladrilhos hidráulicos que viraram uma das marcas do lugar.

Patrimônio de Porto Alegre
Em 31 de outubro de 1988, o Viaduto Otávio Rocha foi inscrito no Livro Tombo do Município de Porto Alegre (nº 26), tornando-se patrimônio protegido da cidade. Entre 2000 e 2001 passou por uma primeira grande recuperação, que incluiu a revitalização das lojas sob as arcadas.
Em 2008, a Lei Municipal nº 10.541 batizou a parte superior de Passeio das Quatro Estações. Cada escadaria recebeu o nome de uma estação do ano, e é por isso que as lojas são identificadas pelos passeios Verão, Outono, Inverno e Primavera.

A restauração de 2022 a 2026
Em dezembro de 2022, a Prefeitura iniciou a maior restauração da história do viaduto. A obra, executada pela Concrejato, enfrentou problemas estruturais e os efeitos da enchente de 2024, e os tapumes foram retirados no fim de março de 2026. Segundo a Prefeitura, foram cerca de R$ 18,7 milhões investidos na requalificação de mais de 9,5 mil m².
- Recuperação de revestimentos, esquadrias, escadas, calçadas e ladrilhos
- Novas instalações elétricas, hidrossanitárias e pluviais, com impermeabilização e tratamento antipichação
- Reabertura de quatro escadarias internas, fechadas desde os anos 1980
- Iluminação cênica com 342 luminárias de LED ao longo da avenida e dos arcos
- Ampliação da acessibilidade, novo paisagismo e recuperação das áreas internas das lojas

O Viaduto hoje
Restaurado, o viaduto voltou a ser ocupado por bares, restaurantes, cafés, livrarias, lojas de discos, galerias e espaços culturais. Desde 2026, as galerias comerciais são administradas pelo Consórcio Confia no Centro, formado por empreendedores que apostam na ocupação do Centro Histórico. Conheça as lojas, veja a agenda de eventos e saiba como visitar.

Fontes
- Viaduto Otávio Rocha – Wikipédia
- Concluída a restauração do Viaduto Otávio Rocha – Prefeitura de Porto Alegre (01/04/2026)
- Viaduto Otávio Rocha volta a se abrir ao olhar da população – Jornal do Comércio (29/03/2026)
- Ficha do patrimônio – Prefeitura Municipal de Porto Alegre (via ipatrimônio)
- Imagens: Wikimedia Commons, com autoria e licença indicadas em cada legenda.